Laboratório
da democracia
EM MOÇAMBIQUE, tal
como sucede na maioria dos países da África subsahariana, a alternância do
sistema político ou de Governo não se tem verificado desde que o país ficou independente,
embora se realizem eleições gerais com regularidade.
Paradoxalmente, ao nível
dos governos municipais o cenário é relativamente diferente. É que as eleições
autárquicas, apesar de parecerem de ‘segunda ordem’, uma vez que não ocupam muita
atenção por parte, tanto dos políticos, bem como dos cidadãos, têm sido de
facto nelas onde tem havido alguma alternância política na governação.
Facto meramente
ilustrativo é que a Renamo, no passado, já ganhou cinco autarquias do país que,
entretanto, voltou a perde-las. O MDM, que surgiu como fragmento da Renamo, actualmente
preside duas autarquias, Quelimane (Zambézia) e Beira (Sofala) ambos no centro
do país.
Esta alternância faz
com que as eleições autárquicas sejam, tal como sublinha o académico Luís de
Brito, um verdadeiro “laboratório de
democracia” em Moçambique. Onde diferentes forças políticas podem se
digladiar e perder o comando dos Municípios conforme a vontade popular.